UM OLHAR SOBRE SANTIAGO, NO DIA DO PADROEIRO

Dia 25 de Julho, dia do Padroeiro, S. Tiago, que se venera aqui, nestas Terras de Besteiros desde há muito. E já por cá andávamos ainda Portugal era de tenra idade, ou muito antes como o atesta a Laja das Cocas e outros vestígios pré-históricos.

Santiago de Besteiros, Freguesia que se estende pelo vale, mas que também trepa pela serra, já consta como “Parochia de Sancti Jacobis de Balistariis” nas inquirições de 1258 e nos tempos de D. Dinis os seus rendimentos já faziam dela uma das mais ricas paróquias do Arciprestado.

Foi pertença do Duque de Beja por doação de seu primo e cunhado, D, João II. Mais tarde, é D. Manuel I que concede novo foral a Besteiros e faz doação ao Conde da Feira, ficando a Paróquia a pagar anualmente à Coroa 36 reais.

Mercê da vasta e úbere extensão agrícola que envolve as suas oito povoações (Barrô, Litrela, Lourosa, Muna, Pedronhe, Portela, Portelada e Santiago), aqui se desenvolvia como fonte de riqueza, o trigo, o centeio, o milho, o azeite, o vinho e, como ex-libris de Besteiros, a sua preciosa laranja. Hoje, são apenas os mais velhos que à agricultura se dedicam, mais como causa familiar que fonte de rendimento.

No património histórico, para além do Laja das Côcas, as Pontes Medievais das Mestras e da Portela, completadas pela Fonte de Casal de Maças, mostram a importância da Freguesia como via de comunicação de almocreves para comércio no litoral e romeiros, estes a caminho de Santiago de Compostela.

Na arquitectura religiosa, a sua imponente Igreja Matriz do século XVIII, cujo Orago é S. Tiago, Padroeiro mas também guia dos caminheiros para Compostela. Ostenta um magnifico Altar Mor em talha dourada e predominam ainda os Altares de Santo André, que era administrado pelos Morgados de Santo André, com o brasão da familia, e o de S. João Baptista, que ostenta as armas dos senhores de Casal D’Asco.

As Capelas de Nossa Senhora da Penha, “guardada” por um secular e gigantesco carvalho, em Muna; Santa Eufémia, em Barrô; Santa Barbara, em Lourosa; Santo António, em Pedronhe, e no cimo do monte, nas abas da Serra do Caramulo, ergue-se a Capela de S. Marcos, hoje circundada por parque desportivo e de lazer.

Memórias são também as Figuras ilustres que aqui nasceram: Francisco Pacheco de Mascarenhas (da Casa dos Morgados de Santo André) que foi Tenente General na Guerra da Restauração e Governador de Mourão e Campo Maior; Os Homem Correia Teles, jurisconsultos ilustres da Universidade de Coimbra e o desenho, a poesia, a escultura, numa palavra a arte que António Lucena de Quadros levou às terras de Moçambique com expoente máximo. Isto, só para citar estes.

A História, como mostra de vida trouxe Santiago do passado até ao presente, e daqui rumo ao futuro. E foi para ouvir um pouco dessa caminhada recente, mas também os projectos a realizar a curto prazo que contactámos Agnelo Laranjeira, Presidente da Junta de Freguesia.

Agnelo Alfredo de Carvalho Laranjeira, 51 anos, é Professor do Ensino Básico (área português/francês) em Ovar, para onde se desloca diariamente. Embora tendo integrado anteriores Executivos da junta, com o Secretário, é pela primeira vez seu Presidente no presente mandato.

Recebeu-nos, acompanhado do Tesoureiro, Fernando Dias, na sede da junta de Freguesia, cujo edifício e espaços envolventes e polivalentes, só por si mereceriam notícia detalhada.

CONVERSA EM JEITO DE ENTREVISTA   

Folha de Tondela (FT) – Embora já com rodagem no Executivo da Junta de Freguesia, hoje nas funções de Presidente o que mudou para si? 

Agnelo Laranjeira (AL) – Os doze anos de passagem pela junta, com Secretário, foram de aprendizagem constante e que me prepararam para os problemas que hoje encontro e para novos desafios.

Então, foram doze anos a tratar mais de infraestruturas e, digamos, a “construir”a casa. A conclusão do Pavilhão Polivalente, a Variante do Lajedo e o que representou de beneficio estrutural e económico, as preocupações com a água e o saneamento que nos absorveram e foram objectivos; hoje, a preocupação é mais de ordem social, bem-estar e acompanhamento no sentido de dar às pessoas qualidade de vida, onde entrem também o lazer, o desporto, a cultura e outras actividades. “Prender” as pessoas à sua terra porque há razões para elas cá ficarem.

FTPara essa fixação, principalmente da camada mais jovem, para além do ambiente propicio terá contribuído, certamente, a instalação e desenvolvimento da Zona Industrial do Lajedo?

AL Claro que sim. A criação de emprego é desde logo factor aglutinador da fixação das pessoas ao local.

A Zona Industrial do Lajedo emprega neste momento mais de 700 trabalhadores, na sua maior parte da Freguesia e Freguesias vizinhas, o ue desde logo representa um elevado número de agregados familiares que por aqui se instalaram ou mantiveram.

Os meios de acesso, de que a variante foi importante pela mobilidade que proporciona e, por outro lado, pelo que representa de facilidade logística para a Zona, tornam o local apetecível para ali se desenvolvam novas unidades industriais.

Santiago, no recente censo, tinha como população residente 1332 pessoas, das quais 17,2% têm menos de 18 anos, o que representa um forte potencial de juventude. Com condições e incentivos, grande parte dela aqui ficará, assim cremos.

FTO mandato ainda não está a meio, mas diga-nos quais as metas já alcançadas e que justificam o sacrifício pessoal que sabemos está a fazer.

AL É um facto que o meu sacrifício pessoal é grande, mas faço-o com gosto e consciente dos compromissos que assumi.

Ainda no passado dia 08 de Maio, que assinalou a visita do Presidente do Município e dos seus Vereadores, em que foi assinado com a Câmara importante protocolo, tive ensejo de sublinhar obras em vários domínios, que atestam e confirmam o concretizar de alguns dos nossos anseios, e que aqui recordo:

- Conclusão da Rede de Água e Esgotos nas povoações de Litrela e Pedronhe; Execução da ETAR da ZIM do Lajedo; Repavimentação de todas as ruas em Litrela e Pedronhe – a maior parte na sua totalidade – devido aos trabalhos da rede de águas e esgotos; Repavimentação da Rua do Bairro Novo e Rua de Casal d’Asco, em Barrô; Pavimentação da Rua de Santa Bárbara, de parte da Rua Victor Oliveira Mota e parte da Rua da Campanha, em Lourosa; Pavimentação do prolongamento da Rua da Lomba da Senhora, em Muna; Requalificação da Rua do Pomar, Rua da ponte Romana e zona envolvente do Solar dos “Teles”, em Santiago; Conclusão/requalificação do Largo Dr. Armando Correia Teles, em Muna; Requalificação do espaço em frente à sede da Junta de Freguesia, com o consequente alargamento da rua; Execução de um espaço de lazer, em Lourosa; Alargamento de via, reconstrução de muro e da frontaria duma casa na Travessa do Outeiro, em Muna; Alargamento e construção do respectivo muro na Travessa da Escola (acesso à Fonte Romana), em Santiago, que será concluído com pavimentação com paralelos, dignificando e facilitando o acesso à emblemática Fonte.

FT Pela descrição, não há dúvida que Santiago é uma freguesia em franco “movimento”.

AG -  Todos os esforços são no sentido de dar mais qualidade de vidaàs pessoas, não esquecendo e dignificando certos locais de referência das nossas Terras, mas em todo este caminho, justo é destacar o permanente apoio da Câmara Municipal através quer do seu Presidente quer dos vereadores e dos respectivos Pelouros. Justo é também destacar a equipa do Executivo da Junta, que comigo trabalha em perfeita sintonia e a dedicação e espírito de colaboração e empenho nas causas do bem comum, da Assembleia de Freguesia.

FT Anseios para o futuro?

AL – Com efeito, o Protocolo com a Câmara (63.000 euros) acima referido ( já que então outro foi assinado entre a Junta e instituições da Freguesia), irá proporcionar “nova caminhada”. Por um lado, a requalificação do Largo da Palmeira, na sede da Junta, que já está em execução e que virá dar maior dignidade e utilização por parte quer da Junta, do Centro Social, Casa do Povo, CCRD ou Jardim de Infância. Depois, um anseio já muito antigo da população: a construção da Casa Mortuária, que será feita a partir da requalificação e adaptação da antiga Junta de Freguesia, bem como requalificação das casas de banho já existentes, mas também a ETAR Litrela/Pedronhe que, depois de concluída, ficará a freguesia com todas as suas oito povoações cobertas com rede de água e esgotos.

Mas há também sonhos que lutaremos para que deixem de o ser, como o alargamento da Rua do Cemitério e criação de um parque de estacionamento junto ao mesmo; a continuação da requalificação da E.228 entre Santiago e Portelada (zona nobre da Freguesia) e a continuação da execução do espaço de lazer em frente da sede da Junta de Freguesia, o que muito virá a enriquecer aquele pólo.

FTProtocolo da Junta com as instituições

AL -  No valor de 14.450 euros, destinou-se às várias associações locais. Deste valor, há que salientar o esforço da Junta de Freguesia na manutenção do Posto Médico (6.400 euros para a Casa do Povo) e 6.000 euros (500 euros/mês) para o Centro Social.

FTJá muito foi dito a mostrar a dinâmica autárquica, mas fale-nos também um pouco da preocupação com a floresta envolvente.

AL – Na área florestal, que é uma riqueza da Freguesia, mas também uma grande preocupação pelos perigos que comporta, principalmente de verão, com vista ao ordenamento dos baldios abriram-se este ano 6 caminhos florestais, em que 3 foram completamente novos e os outros de ligação (Cabeço Grande e Misarela). Foram ligados 4 caminhos estruturantes no âmbito da prevenção contra incêndios, sendo um a meio da Serra e passando por 3 Freguesias (Santiago, Guardão e Silvares), o que representa importante tampão.

Reestruturação do estradão de Muna às Levadinhas e do estradão do Tresufo (que liga Muna a Paranho e estradão da Sebrosa/Atoleiro, que liga Muna a Vilar.Simultaneamente, foram plantadas mais de 1.500 árvores.

Ainda na Sebrosa, intervenção na praia fluvial com captação de nascente e plantação de árvores.

Em todo este trabalho, justo é salientar a importância da equipa de sapadores locais.

VALE A PENA VIVER EM SANTIAGO

Foi essa a mensagem que Agnelo Laranjeira deixou. É uma Terra com um passado que nos honra, um presente que nos orgulha e um futuro ao serviço das pessoas.

Santiago de Besteiros, em dia de S. Tiago

Jorge A. Leitão

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