SABUGOSA EM FESTA
É já, desde tempos imemoriais que Sabugosa guarda religiosamente o dia 05 de Agosto como o “seu dia Santo de Guarda”. É tão fervorosa esta devoção que já deu origem a uma revolta popular, no ano de 1975, contra um padre que pretendeu transferir a festa para o fim-de-semana, obrigando o bispo a substitui-lo, dando força e consistência à vontade do povo.
Este ano, como nos anteriores, os festejos tiveram inicio no dia4 apartir
das 22,00 horas, com o habitual arraial ao som de habilitado conjunto musical, fazendo prever que o dia da Freguesia iria serem cheio. Asprofecias não se enganaram, haveria de ser um dia que perdurará por muito tempo na memória dos nossos conterrâneos.
Pelas 10,00 horas teve inicio a celebração eucarística, com o templo a ser pequeno para albergar todos os devotos que quiseram participar, tendo muitos deles ficado no exterior, por impossibilidade de entrada. Os nossos emigrantes e os filhos de Sabugosa espalhados por esse País, marcaram massiva presença quer na missa, quer depois na procissão que levou a padroeira Nossa Senhora do Pranto, acompanhada por mais quatro andores, a percorrer muitas das ruas de uma aldeiaem festa. Osfoguetes de solo fizeram-se ouvir sensivelmente durante hora e meia, tempo que demorou a executar todo o percurso, bem como a banda que entoou músicas alusivas, o que já não se ouvia há muito tempo.
A fanfarra cáustica deu, com muito agrado, o mote para a tarde que viria a ser de verdadeira apoteose para o aguardado momento histórico.
INAUGURAÇÃO DA REQUALIFICAÇÃO DO PARQUE DR. ABEL DE LACERDA.
Os membros da Junta e Assembleia de Freguesia começaram a receber os muitos convidados por volta das 16,30 horas, entre eles, alguns deputados municipais, presidentes de junta, comandante de posto da GNR, comandante dos bombeiros, comunicação social e o vasto elenco da câmara municipal, chefiado pelo seu presidente Dr. Carlos Marta, que se fez acompanhar pelos vereadores Dr. José António, Engenheiros António Dinis e Carla Pires, bem como o Pedro Adão.
Depois de o arcipreste padre João Pedro ter procedido à bênção do espaço, usaram da palavra os dois presidentes, perante uma enorme plateia que ocupava quase por completo o sombroso recinto.
O presidente
da junta, Jorge Soares, depois de ter cumprimentado e dado as boas vindas a todos os presentes, agradeceu ao município, na pessoa do seu presidente o facto de ter sido cumprido o protocolo ali assinado há dois anos que possibilitava o sonho de passar do papel à prática, tão ambicionado projecto. Agradeceu também à professora Elisa Pinheiro, que em representação da família do malogrado professor Manuel Pinheiro, doou uma tira de terreno que permitiu uma configuração mais condigna e relevante para aquele magnifico local. Não deixou de realçar a capacidade da junta em ultrapassar as críticas formuladas durante a execução do projecto, muito bem conseguido pelo arquitecto Vasco Possas e que agora dignifica a freguesia e o próprio concelho. A concluir e em jeito de desafio, deixou votos para que todos os conterrâneos, sem excepção, utilizem e usufruam deste maravilhoso espaço.
Por sua vez, o Dr. Carlos Marta, depois de cumprimentos gerais, extensivos a todas as entidades presentes, felicitou a entrega e dinâmica da junta pelo arrojo de tamanha obra que dignifica muito a freguesia e fica à disposição de todo o concelho. Disse que, apesar da grave crise social, económica e financeira, quando as vontades se unem, deixando de lado as ideologias, é possível, graças à vontade e à força dos homens e mulheres do concelho. Salientou a enorme audácia e coragem da junta e assembleia de freguesia, na promoção desta inauguração num período em que não há campanha eleitoral, coisa impensável há relativamente pouco tempo, mas o município e as juntas continuam em verdadeiro movimento para engrandecer e dinamizar as freguesias e o concelho. Rematou que, apesar das enormes dificuldades que se nos vão continuar a deparar, se estivermos juntos e imbuídos de um
espírito de sacrifício, como foi o caso dos nossos emigrantes que partiram sem conhecer nada nem ninguém, mas vingaram, é possível continuar a desenvolver as localidades e o concelho.
Depois do simbólico descerramento das placas alusivas ao ato, o convívio continuou ao redor das mesas compostas com iguarias e acepipes vários, ao som da banda Europa e das exuberantes Bombocas.
A festa estendeu-se até domingo, altura em que, numa organização conjunta entre o ponte velha e a freguesia se desenvolveu naquele lugar a 1ª edição do “vozes da nossa terra”, numa autêntica parada de estrelas locais que animaram e divertiram aquela enorme plateia.
Estão de parabéns a junta, a câmara e principalmente a população de Sabugosa por tamanho feito e tão grande envolvimento. Que a força e a vontade não falte a estes promotores.
Luís Guilherme
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