Oito de Setembro – Festa da Nossa Senhora do Campo

Num perfeito dia de Verão, muito soalheiro, Campo de Besteiros reviveu mais um dia festivo marcado no calendário como nascimento de Nossa Senhora, no nosso caso denominado como Nossa Senhora do Campo.

Apesar de não ser uma enchente de outrora ainda se registou um número significativo de peregrinos presentes que encheram o Templo religioso, espalhando-se alguns pela Praça da República.

Estes festejos realizam-se desde a centúria de quatrocentos e segundo relatos coevos quase não se podia romper nesse dia, onde os peregrinos eram em grande número. De várias localidades da região ou de outras bem distantes deslocavam-se ao vale de Besteiros para agradecer e pedir ajuda para uma boa colheita. Segundo Frei Agostinho, o Santuário de Nessa Senhora do Campo era um dos mais concorridos entre os séculos dezassete e dezoito. Vinham cumprir promessas e era com alegria, quando ao longe avistavam o santuário, e nessa altura apressavam o passo. O surgir desta festividade está envolvida em uma lenda relacionada com aparecimento da imagem da Nossa Senhora do Campo.

Nesse mesmo dia à sombra das árvores realizava-se uma feira franca onde se vendiam produtos agrícolas e artesanais, muito deles relacionados com a viticultura. Salientamos também que um dos produtos com maior oferta era a erva de semente que iria forrar os campos para as pastagens de inverno. Essa feira foi relembrada por uma pequena exposição organizada pela Sociedade de Propaganda tendo como responsável Jorge Marques. De uma forma singela, mas marcante estavam expostos os produtos que se comerciavam, muitas vezes eram trocados por outros produtos.

Podemos mesmo afirmar que foi a primeira feira agrícola e artesanal do concelho e que merecia um estudo mais aprofundado para ser revivida.

No intuito de reviver também velhos tempos, à tarde realizou-se uma sardinhada, porque em tempos idos era a principal iguaria servida na feira, conjuntamente com o vinho da região.

No fim da Eucaristia uma majestosa procissão com andores bem ornamentados percorreu as ruas da vila abençoando os campos, infelizmente hoje muitos deles colhidos a monte.

Da parte da tarde realizou-se o concerto da banda “Novo Milénio” presente nas cerimónias e procedeu-se à recitação do terço.

Reviveu-se mais um oito de Setembro, festa marcante do vale, mais nos outros tempos, porque as populações dependiam sobretudo da agricultura e dos “humores” do tempo.

Joaquim Calheiros Duarte

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