O LUSITO FABRICADO EM TONDELA

Na última conferência de imprensa realizada pela Direcção da Escola Profissional de Tondela (EPT), levada a efeito no passado dia 19 de Fevereiro, em que foram ventilados diversos assuntos das reais potencialidades daquele estabelecimento de ensino, que tantos sucessos tem alcançado, falou-se em determinada altura que a EPT estava preparada para reparar e construir automóveis nas suas oficinas da ZIM, da Adiça.

Já tinha em mente trazer a esta secção uma “Lembrança” de um facto passado em Tondela no ano de 1954, quando um pequeno automóvel chegou a circular na nossa terra, de marca LUSITO, e que tinha estampada a seguinte mensagem: Fabricado em Tondela, e cujo emblema era uma Cruz de Cristo.

Curiosamente, na revista Auto Foco, nº 510, de 31 de Dezembro de 2009 a 6 de Janeiro de 2010, que se publica em Lisboa, deparei com um artigo que ocupa as páginas 44 e 45, de autoria de José Barros Rodrigues, em que conta a história do Lusito, do qual, com a devida vénia, transcrevo algumas passagens.

Diz o autor: “O objectivo de construir uma indústria automóvel em Portugal continuou persistente na década de 50, talvez animado com os feitos dos inúmeros veículos de produção nacional que vingavam nas nossas pistas e estradas. Em 1954 surgia nas páginas da Imprensa nacional um pequeno automóvel amarelo que recebia o nome de AGB Lusito.”

Pode ainda ler-se no relato circunstanciado da Auto Foco que o Lusito “concebido por António Gonçalves Baptista foi submetido a rigorosas inspecções técnicas por parte da Direcção Geral de Viação, que lhe concedeu a homologação e a respectiva autorização de construção ao fim de seis meses.” (…)

Mais adiante toma-se conhecimento que A.G.B. para dar corpo à sua pretensão se socorreu de um sócio capitalista: “a Fábrica Santa Cruz, em Tondela, firma gerida por António dos Santos Torres. (…) Entretanto, a Sociedade está construindo a sua oficina definitiva em Tondela e recebendo as máquinas – tornos, prensas, fresas, etc. – indispensáveis à construção. (…) Será construída uma primeira série de 100 veículos, que serão vendidos a título de propaganda. Já há encomendas para perto de 40 carros, algumas vindas das ilhas (…)”.

O articulista salienta entretanto:

“Assim, o AGB Lusito, com o número de matricula IG-20-93, acabou por constituir o primeiro testemunho de uma aventura frustrada mas, apesar de tudo, muito interessante sobre o ponto de vista técnico”.    

Na realidade falou-se muito na altura sobre o Lusito – Fabricado em Tondela, chegando a estar projectada a fábrica para o espaço atrás da Fábrica de Santa Cruz (actualmente Centro de Saúde) e da Escola Primária Nº 1, indo até parte do terreno onde anos mais tarde foi construída a Escola Secundária de Tondela. Pelo menos era a versão que corria entre os tondelenses.

Dizia-se ainda que o projecto fracassou por um capitalista tondelense, muito conhecido, ter arrepiado caminho sobre uma possível aplicação de capitais anteriormente prometida.

Contudo, melhor do que eu, pode testemunhar um sócio gerente da antiga Fábrica de Santa Cruz, portanto colega do citado tondelense António dos Santos Torres, julgo que o único vivo da que foi uma importante empresa de Tondela, o Sr. Nelson de Matos Coimbra, de Molelos, um bom amigo a quem agradeço que se manifeste. 

A intenção desta lembrança não é mais que levar ao conhecimento dos mais novos que o nome de Tondela correu o País, quando o protótipo do automóvel Lusito percorreu 50.000 quilómetros em fase experimental nas estradas nacionais, no longínquo ano de 1954.

Amorim Lopes    

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Comments (1)

 

  1. Teixeira da Silva, AJ says:

    * Foi uma aventura tentada, mas não conseguida! É pena… Mas Tondela já está no “mapa” há muito tempo e, na maioria das vezes, sempre por motivos sublimes.
    Tondela é grande em tudo, industrialmente falando…´componentes para automóveis, fabrico de produtos farmacêuticos, empresas de camionagem e logística, instituições bancárias, hotelaria.
    * Penso que Tondela e a região onde se encontra inserida (a do Dão) é completamente auto-suficiente para os respectivos indígenas, levando ainda o seu nome por esse país fora, extravasando até as respectivas fronteiras.
    Obrigado pelo tempo perdido para lerem estes rabiscos e terem-me dado a oportunidade de me manifestar sobre uma região de onde ainda tenho uma “costela”, Cortiçada, Castelões.
    Se acherem que terá algum interesse podem publicar o comentário, caso contário, e apesar de o mesmo ter sido feito com muita convicção, é um mero pensamento…!
    PS.: Este é que foi revisto, encontrando-se sem erros de escrita.

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