MUNICIPIO DE TONDELA POSIÇÃO PÚBLICA SOBRE O HOSPITAL CÂNDIDO DE FIGUEIREDO
Em Conferência de Imprensa realizada no passado dia 10, o Executivo da Câmara Municipal de Tondela, com a presença do seu Presidente, Dr. Carlos Marta, do Vice-Presidente, Dr. José António de Jesus e dos Vereadores, Engª. Carla Pires, Engº. António Dinis e Drª. Cecília Fragoso, tomou posição pública, através da comunicação social, em defesa do Concelho e dos seus cidadãos, sobre a decisão do Governo de criar o Centro Hospitalar Tondela-Viseu, E.P.E., em substituição das unidades existentes.
O Dr. Carlos Marta, depois de saudar e agradecer a presença dos diversos jornalistas que ali foram tomar conta da posição camarária, começou por lembrar o “desaparecimento do Hospital Cândido de Figueiredo e do Hospital S. Teotónio, como entidades jurídicas independentes, fundindo-se numa outra entidade pública empresarial”. Isto é um facto, e querer mistificá-lo, é querer iludir a situação.
É, disse, uma decisão incompetente e tomada à rebeldia de todas as decisões anteriormente tomadas e compromissos segundo os quais nada seria decidido sem consultar os autarcas e agentes locais.
E porque esta decisão é exclusivamente política, pressupunha a auscultação institucional quer do Município de Tondela, quer dos diversos agentes locais, o que não foi feito.
E sendo política, não terá sido assente em pressupostos de natureza técnica. É que “Apesar de todas as solicitações feitas, ao longo destes últimos anos pelo município de Tondela, continua sem ser tornado público o estudo do Professor Daniel Bessa, encomendado pelo Ministério da Saúde à Escola Superior de Saúde do Porto, sobre Seia, Viseu e Tondela. O compromisso assumido pelos responsáveis da saúde foi de que “nada seria decidido sem uma fundamentação técnica adequada”.
Em 2007, “ este Hospital era considerado pelos resultados financeiros e “serviços” um dos melhores Hospitais da Região Centro e com uma excepcional capacidade de intervenção”.
O Hospital conseguiu, com receita própria, executar um investimento superior a um milhão na construção de um novo bloco operatório, o que demonstra a sua capacidade de intervenção e gestão.
É sabido que nos recentes Centros Hospitalares criados, os Hospitais mais pequenos têm tido como consequência a perda de serviços e de intervenção, ao mesmo tempo que tem aumentado os custos de gestão desses centros.
Perante a decisão, inexplicável, meramente politica e que não está assente em objectivos que permitam avaliar tal decisão, e porque “sinal de um Governo desorientado e em fim de ciclo”, o Município de Tondela reforça um conjunto de preocupações e decisões:
- Solicitar à Srª. Ministra da Saúde o já citado estudo. Será que as conclusões não eram as pretendidas pelo Ministério?
- Nos Centros Hospitalares já criados, quais são os resultados na prestação de cuidados de saúde, e em que medida estas respostas têm ganhos de proximidade para todas as populações?
- Nesses Centros Hospitalares existem, ou foram perdidos, iguais serviços e valências nas várias Unidades desses Centros? Solicitaremos visitas a várias Unidades de Centros Hospitalares, em especial às unidades periféricas desses Centros;
- Apesar de todas estas “medidas” supostamente tomadas para garantir a sustentabilidade financeira, o estranho é que o Serviço Nacional de Saúde está em risco de colapso financeiro, face ao aumento constante de custos deste Ministério.
A Autarquia e a Comunidade aplaudiram o lançamento, pela Srª. Ministra da Saúde, da criação de uma Unidade de Cuidados Continuados, inicialmente com 15 Camas de cuidados continuados de convalescença e 5 camas de cuidados paliativos. Agora querem transformar essas camas de convalescença em cuidados paliativos, o que não é a mesma coisa, é redutor para a missão que estava prevista e que as obras justificavam para garantir a Unidade de Convalescença, no âmbito do Rede Nacional dos Cuidados Continuados. Quem tem responsabilidades?
E a pergunta da Autarquia, como será também a de qualquer cidadão, é porque não é criada aqui uma Unidade Local de Saúde, para esta área geográfica com 116.000 habitantes (da área de Lafões e do Sul do Distrito), à semelhança do que foi feito para a Guarda/Castelo Branco?
Perante a perda de autonomia do Hospital Cândido de Figueiredo que, como facilmente se compreenderá, deixará de ter poder de decisão, o que se rejeita, Carlos Marta deu a conhecer que “solicitamos, com urgência, reunião com os diferentes grupos partidários com assento na Assembleia da República e com a Comissão de Saúde da Assembleia da República” e “solicitamos uma reunião com a Srª. Ministra da Saúde e, consequentemente aos resultados destas reuniões, tomaremos as posições adequadas para defesa das populações abrangidas por esta decisão”.
A finalizar e antes de responder a algumas pertinentes perguntas dos jornalistas, Carlos Marta, em nome de toda a equipa, deixou “uma palavra de solidariedade e apoio aos médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar, que se vêm arrastados por esta confusão, onde se desvalorizam as suas capacidades profissionais e o empenho que sempre demonstraram”.
Jorge A. Leitão
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