MEDALHA DE PRATA DA MISERICÓRDIA DE TONDELA PARA NELSON DE MATOS COIMBRA
O cidadão Nelson de Matos Coimbra, de Molelos, é por demais conhecido, não necessitando de prévias apresentações.
Como Autarca, fundador e co-fundador de diversas Colectividades e Instituições que serviu com zelo, dedicação e muita competência enquanto a saúde lho permitiu, o Patriarca, como lhe chamam alguns amigos, esteve sempre na linha da frente em defesa dos interesses do Concelho, mas muito especialmente nos de Molelos, a sua Terra e nos de Tondela, onde viveu alguns anos, sendo sócio gerente de uma importante Empresa aqui sedeada, naquela época.
Habituado desde muito jovem a sentir o peso da resp
onsabilidade e a enfrentar as dificuldades com muita determinação, assim se pautou pela vida fora, deixando o seu cunho de lutador e de dedicação em todas as colectividades e instituições por onde passou – quase todas as existentes em Molelos e em Tondela – dedicando-lhes o tempo disponível que a sua vida profissional lhe permitia. Mais tarde, já sem a preocupação inerente aos grandes empresários, mais tempo lhes dedicou, nalguns casos ao longo de dezenas de anos.
A Santa Casa da Misericórdia de Tondela é uma Instituição que serviu durante 36 anos, com muita dedicação e trabalho, sendo presentemente o seu associado Nº1, aexemplo de outras Colectividades, como lhe confere o estatuto de nonagenário já há algum tempo.
O galardão referido em epígrafe foi-lhe atribuído por proposta do Presidente da Mesa da Assembleia Geral a que os restantes Órgãos Sociais se associaram de imediato, sendo a proposta colocada à votação e aprovada por unanimidade pela Assembleia Geral.
Numa cerimónia singela, mas plena de significado, a medalha de prata da Santa Casa da Misericórdia de Tondela foi entregue ao galardoado, assim como o diploma da atribuição, transcrito da respectiva acta da Assembleia aquando da proposta, no passado sábado à tarde, na sua habitação de Molelos, na presença da esposa e dos sobrinhos. A representar a Misericórdia esteve o Provedor, Eng. Carlos Cunha, o Presidente da Mesa da A. Geral, Professor Doutor António M. P. M. Martinho, os secretários António Amorim Lopes e Celestino de Jesus Baptista e Eduardo Henriques Basílio, do Conselho Fiscal.
Muito embora o Sr. Nelson de Matos Coimbra, com alguma dificuldade, tenha agradecido o galardão, foi o sobrinho e afilhado, Eng. Hélder Balça a fazê-lo mais detalhadamente como segue: “Senhor Presidente da Mesa da Assembleia-Geral da Santa Casa da Misericórdia de Tondela, Senhor Provedor, restantes Membros da Mesa da A.G., Senhor Representante do Conselho Fiscal, caríssimos familiares.
Sabeis bem quanto o Tio e Padrinho Nelson gostaria de poder dar largas à sua imaginação e a seu jeito, proferir as palavras elucidativas de tudo o que neste momento lhe vai na alma. Sei e todos sabemos que é um momento muito feliz para ele.
Não pretendo, nem quero assumir a representação do homenageado, qualquer imitação seria de muito fraca qualidade, dado os seus conhecimentos e os seus dotes oratórios. Quero apenas convosco partilhar alguns pensamentos que pretendem traduzir aquilo que julgo o Tio Nelson sente neste momento e que por motivos óbvios, não lhe é possível transmitir.
Todos sabemos, mas ele com certeza lembraria que tudo a que se dedicou, foi com amor e espírito de servir. Nas muitas Associações em que integrou os seus órgãos directivos, quer tivesse sido por vontade própria quer por vontade de outros, teve apenas e sempre em mente, servir e não servir-se, ajudando desinteressadamente a sua comunidade no seu bem-estar, cívico, cultural, social e moral.
Fez tudo para cultivar a amizade como um fim e não como um meio, acreditando que a amizade não resulta de favores mutuamente prestados, mas sim de sentimentos espontâneos que não encontram retribuição senão na própria amizade.
Teve sempre em mente que para
triunfar, não é preciso prejudicar o próximo. Nunca regateou esforços, tendo estado sempre pronto, a ajudar o próximo.
É com certeza com honra e gratidão que aceita o reconhecimento e o generoso elogio que acaba de ser feito, não tendo nada para Vos dar em troca, senão um muito bem-haja.
Obrigado”
Entretanto uma sobrinha neta leu na íntegra o documento que acompanha a medalha, a que o homenageado prestou apurada atenção.
Como outras que lhe têm sido prestadas, esta homenagem, justíssima, tocou fundo a sensibilidade daquele Homem Bom que já ultrapassou os 90 anos de idade que, com alguma dificuldade, o fez sentir falando com todos os amigos que o visitaram.
Amorim Lopes
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