GENTE DO POVO

Sou e serei sempre admirador profundo das gentes simples do povo, que no fundo são também as minhas raízes, a que me orgulho de pertencer. Por isso, de vez em quando, falo aqui de pessoas que sempre admirei.

E hoje vou falar do Ti Ernesto, de Molelinhos, que na passada semana completou 81 anos de idade, mas que na brincadeira ele diz que foram 18. Ora este senhor fez a maior parte da sua vida profissional em terras de África, depois regressou à sua terra, onde durante vários anos foi correspondente da “Folha de Tondela”, naquela soalheira povoação de Molelinhos.

Hoje o Ti Ernesto, de vez em quando, pega na sua “ginga” e vem até ao Campelinho e é também de vez em quando, que ali me encontro com ele e que é um prazer ouvir histórias de um tempo antigo, nomeadamente quando fala do meu pai, quando ele lhe dizia: “Olha Ernesto, o meu Tonito é bom rapaz, mas é travesso como o diabo”, o que me faz pensar que o puto dessa altura já era reguila e inconformado.

Depois o Ti Ernesto toma a sua bica no Ricardo e lá volta outra vez à sua casa, na sua velha “ginga” e eu daqui faço votos para que continue a desfrutar da vida à sua maneira e que também à sua peculiar maneira, continue a pensar que não foram 81 anos que fez, mas sim 18.

Força Ti Ernesto e conte sempre cá com o galfarro, nem que seja para dois dados de conversa no Campelinho.

 

O GALFARRITO

Sete jângolas da matildes, o galfarrito com os abispantes ainda de ornear, lanfeia uma conquêlha de gródio, e de chapinns sem calcúrreos, e com a béltra ao costado, lá se vai polar no moreio, numa terrangosa nas esfraldas da serra.

Ao polar-se no moreio, o galfarrito, com outrosâmes galfarros, faguncham logo, uma fornada de maróbia, para os gebrótes caístas chapanhirem com a cuchárra no andaime.

Quando cheganhiva o meio lúzio, o galfarrito já se póla com o lanfeio fagunchado, para os caístas, nas bombázias de massa burra, com torréoias escamucho e orêlhas de mula, e martambúzios com chôira e granizo.

Depois à tardúnha com duas sarrafadas no fusquête, o galfarrito lá continua acartanhir a maróbia, fagunchada de brancósa e címbres, com o côxo na mitrólia.

Depois à chôna já com os fifas de sarilha a voltar ao cardanho, o galfarrito ainda lanfeia uma sigula sapiênica, com um pouco de artífe de zaburro e outra besalta a chapinhar sem calcúrreos, volta ao gebrôte cardanho, alporrando pelo caminho, gerêpio e verdeósas e zulando práusea de uma lonêta.

Nota – se quiser ver a tradução desta história, esteja atento um dia destes a este Jornal. Se souber um pouco desta maneira de falar, tente traduzi-la você mesmo.

Macarinho

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