CONFRARIA DOS CAROLOS E PAPAS DE MILHO CAPÍTULO DE ENTRONIZAÇÃO
A valorização dos produtos locais e a recriação de hábitos e tradições gastronómicas, tem nas Confrarias espalhadas pelo país papel importante de divulgação, que diversos projectos dinamizam.
A CONFRARIA DOS CAROLOS E PAPAS DE MILHO, fundada no nosso Concelho – Canas de Santa Maria, em 28 de Fevereiro deste ano, levou a efeito o seu 1º. Capítulo, ou seja a sua Assembleia de Entronização, com o apadrinhamento por parte da Confraria Gastronómica do Cabrito e da Serra do Caramulo e Confraria do Bucho de Arganil, Cerimónia em que teve também lugar, para além da Entronização dos Confrades efectivos, a Entronização de Confrades de Honra e, ainda “Amigos da Confraria”, categoria prevista nos Estatutos.
À frente da Confraria, ficam Ana Maria Bastos, Moleira – Mor (Presidente da Direcção) e João Carlos de Figueiredo, Feitor (Presidente da Assembleia Geral)
RECEPÇÃO/MATA - BICHO
Após a recepção às Confrarias participantes e Convidados, na sede da Confraria, Largo Dr. João Almiro, nº. 41 – Canas de Santa Maria, teve lugar o “Mata – Bicho” à Lavrador, na Quinta João de Deus, composto por diversos produtos locais.
MISSA/BENÇÃO DAS INSIGNIAS
Seguidamente, os Convidados dirigiram-se para a Igreja Matriz para participação na Missa e onde foram benzidas as insígnias que passarão a ser uso de todos os entronizados.
ENTRONIZAÇÃO DE NOVOS CONFRADES/ORAÇÃO DE SAPIÊNCIA
Já na Igreja Românica, para onde o Cortejo se dirigiu finda a Missa, teve lugar a Cerimónia de Entronização de mais de 40
Confrades (Confrades Efectivos, Confrades de Honra e Amigos da Confraria).
Na Mesa da sessão, para além do Dr. José António de Jesus, Vice – Presidente da Câmara Municipal de Tondela, que presidiu, ainda a Moleira – Mor e Feitor da Confraria dos Carolos e Papas de Milho; Professor Doutor Pedro Lynce (Orador de Sapiência); Padre João Dinis, Pároco de Canas de Santa Maria e os Padrinhos, Confraria Gastronómica do Cabrito e da Serra do Caramulo e Confraria do Bucho de Arganil.
Após a Cerimónia de Entronização tiveram lugar algumas intervenções, começando pela Moleira – Mor, Ana Bastos, seguida do Feitor, João Carlos Figueiredo, Pastor – Juiz da Confraria do Cabrito, Presidente da Confraria do Bucho e terminando no Vice-Presidente da Câmara, José António de Jesus. Todos realçaram a importância das Confrarias no reforço das referências, nos laços de amizade, companheirismo e sua participação na divulgação e cooperação da região onde se encontram inseridas, realçando-se inclusive as mais valias que temos entre nós como motor de valorização do desenvolvimento local e convergência de vontades para um Concelho com cada vez mais futuro, como salientou José António de Jesus.
Por seu lado, o Professor Pedro Lynce, na Oração de Sapiência – A importância do milho na Economia Rural, desenvolveu não só essa importância como toda a vertente agrícola, de certo modo hoje perdida, obrigando, como disse, que os agricultores assistam com mágoa à partida dos seus filhos em busca de outra vida que não a agrícola, criando a desertificação e os graves inconvenientes que acarreta, desertificação até provocada pela retirada de alguns suportes de bem – estar das pessoas, como escolas, centros de saúde, hospitais, segurança e outros.
Temos de voltar a “prender” as pessoas por essa actividade de todos os dias. Daí, o papel importante das Confrarias na sua dinamização. E será pela qualidade como meio de competição que se encontrará um desenvolvimento mais equilibrado, disse a finalizar e depois de uma interessante “lição”.
Um Momento musical pelo Grupo “Escola Cantorum”, de Viseu, rematou a Cerimónia ocorr
ida na Igreja Românica, cujo passado histórico é motivo de orgulho para a Vila. Seguiu-se o desfile encabeçado pela novel Confraria, seguida das diversas Confrarias presentes e de todos os convidados até à Capela de S. Pedro, onde teve lugar a “Foto de Família”.
ALMOÇO
Numa das salas da magnífica QUINTA DO SOLAR, na Póvoa do Arcediago, completamente recuperada e que passa a ser uma das referências turísticas do Concelho, teve então lugar o convívio para fruir da razão que ali nos levara.
Míscaros com farinha deram as boas vindas aos convidados. Um prato muito nosso e perdido no tempo, recriado de modo a recordar esse tempo.
Caldo verde a preparar para o que ia seguir-se.
Papas de nabiça com sardinha de escabeche lembrando um passado já distante, mas que o presente recuperará para satisfação de quem aprecia o pitéu. E papas, comida de pobres, acompanhadas com sardinha revelava já certa abastança.
E a seguir, a parte “nobre” da refeição: Carolos com carne de vinha-d’alhos. Muito sujos, isto é, com bastantes carnes a acompanhar. Para muitos, o reviver o passado, ainda que, felizmente, a própria restauração do Concelho já lhe tenha tomado o rasto. Para outros, o contacto pela primeira vez, como ouvimos referir. Mas estamos certos que a “descoberta” justifica que no nosso Concelho façam parte, agora oficialmente, como “ex-libris” do património cultural e gastronómico, porque sabores da nossa terra.
Um vinho do Dão, também do nosso Concelho, acompanhou a refeição.
Nas sobremesas, os Doces à Confraria ou as geleias onde o milho é base, remataram os sabores na companhia de outra coisa também nossa, que é a jeropiga.
Com nova actuação da “Escola Cantorum” e a distribuição de lembranças às Confrarias e convidados, terminou o I CAPÍTULO DA CONFRARIA DOS CAROLOS E PAPAS DE MILHO.
Jorge A. Leitão
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