ALMAS SANTAS
“À porta das Almas Santas/Bate Deus a toda a hora”…
Era assim, de porta em porta e pela escuridão da noite, com as lanternas de petróleo a rasgar as trevas, que os grupos começavam a sua peregrinação percorrendo as aldeias durante o tempo de Quaresma.
Na nossa Freguesia, graças a umas tantas boas vontades dinamizadas por Armando Laranjeira, esse cântico, essa reza e esse pedir para as Almas voltou a reviver a tradição pelas noites do tempo de recolhimento que a Quaresma encerra e que estamos a viver. Eles têm andado de porta em porta, cantando e rezando.
O Grupo, com a capucha, velha companheira das nossas gentes, os lenços e agasalhos como outrora, as velhinhas candeias a petróleo, hoje já não necessárias para iluminar as ruas, mas para tornar a tradição mais autêntica, separa-se em dois, um à frente cantando a primeira parte da ladainha, outro atrás respondendo. E assim vão percorrendo as casas e rogando “Peço as vossas migalhinhas/ Que crescem da vossa mesa”.
E continuando, lembram que “É para dizer Missas/ É devoção que trazemos”.
O cântico vai-se repetindo, de casa em casa, para “Que estas orações benditas/ Sejam em vosso louvor”.
Mesmo com as temperaturas frias da noite, como é bom ouvir e acompanhar estes cânticos envolventes, a lembrar os entes queridos que já partiram, a pedirem o óbolo pelas Almas e a ajudarem a nossa reflexão no período quaresmal.
E da Quaresma parte o momento de exultação que é o dia de Cristo Ressuscitado, Domingo de Páscoa. Também outrora, nesse dia vozes se ouviam, pela manhã, a cantar o “Aleluia” e a preparar toda a aldeia para a visita Pascal. Outra tradição que Armando Laranjeira e um grupo de santiaguenses quer restaurar e trazer à vivência da Páscoa.
São as memórias do nosso passado colectivo, que haveremos de legar aos nossos netos.
JAL
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