AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DO CARAMULO “PRÉMIO ESCOLAR MONTEPIO” HONRA O CONCELHO
O Agrupamento de Escolas do Caramulo, como tivemos o gosto de publicar, recebeu recentemente uma distinção que honra a Escola e vem premiar a qualidade de ensino ali praticado, a sua dinâmica, a forte ligação escola/alunos/pais/instituições/comunidade, e vem abrir horizontes a um projecto inovador para o desenvolvimento da região serrana onde está inserido.
Se o passado da Escola fala por si, o projecto que “conquistou”
merece ser realçado e levado aos nossos leitores. Por isso impunha-se ouvir o Dr. Luís Costa, Presidente do Agrupamento, que amavelmente nos recebeu e connosco partilhou essas vivências.
FOLHA DE TONDELA (FT) – Antes de falarmos do “Prémio Escolar Montepio” com que o Agrupamento de Escolas do Caramulo foi distinguido, conte-nos um pouco da História desta Escola
DR. LUÍS COSTA (LC) – O Agrupamento de Escolas do Caramulo está no momento reduzido a poucas escolas, embora o território seja extensoem plena Serra do Caramulo. Compreende a EB 2, 3 da vila, E B 1 de Paredes do Guardão, Jardim-de-infância do Guardão, E B 1 e Jardim-de-infância de S. João do Monte. Presta serviço a diversas Freguesias do Concelho de Tondela, designadamente Guardão, S. João do Monte, Mosteirinho, Castelões (Figueiral) e Santiago de Besteiros (Litrela e Pedronhe) e, ainda, Urgueira, no Concelho de Águeda e diversas localidades do concelho e Oliveira de Frades. É um território educativo grande, com predominância para o Concelho de Tondela, longe da sua sede, em zona montanhosa, mas servindo igualmente outros Concelhos.
A Escola nasceu há 15 anos, tornando-se Agrupamento há 5 anos, representando naturalmente uma importante mais – valia para a região, e cobrindo actualmente uma população de 250 alunos nos diversos escalões de ensino, mas vivendo-se o mesmo problema de outras zonas em que o decréscimo de alunos se faz sentir de ano para ano.
F T – Dada a dispersão geográfica, como se faz o acesso dos alunos às escolas?
L C - A rede de transportes para o acesso dos alunos é coordenada pela Câmara Municipal, e bem. Vai desde o autocarro que percorre diversas povoações, para os alunos mais velhos, as carrinhas das Juntas de Freguesia para os mais pequenos, e até táxis para alguns casos. Pode considerar-se uma cobertura satisfatória e equilibrada, no seu todo. O próprio horário de funcionamento da escola – 8,45 -17,25 horas, ajuda a esse equilíbrio.
F T – Sabemos de várias iniciativas extra-curriculares, abrangendo inclusive a Comunidade. Fale-nos dessa experiência.
L C – O Agrupamento de Escolas do Caramulo teve sempre uma política de abertura para com a Comunidade e pretendemos que ela seja participativa e interventiva. Principalmente nos últimos anos procurámos que houvesse uma inteira ligação entre a Escola e a Comunidade, passando pela autarquia, instituições e Associação de Pais. Tivemos como objectivo um centro de dinamização cultural, envolvendo também as populações. Elaborámos diversos projectos e elegemos três grandes actividades de Agrupamento e participação colectiva que converge para a escola sede, envolvendo portanto toda a Comunidade escolar: A Festa de Natal, com todo o significado que contém; a Festa das Cruzes, em Maio, im
portante Momento ancestral e religioso vivido no Guardão e em que fizemos questão de participar através dos nossos alunos pelo cariz tão marcante para as nossas terras e pela vivência de que se reveste; e o dia do Agrupamento, no encerramento do ano escolar, aberto a toda a gente e no qual é aferido todo o trabalho realizado.
As noites da “Biblioteca Escolar”, é outro ponto de encontro onde periodicamente nos reunimos com os pais e a Comunidade para falarmos de poesia, educação para a saúde ou de outros temas, que designámos por encontros para “chá, bolinhos e conversa”, num ambiente mais informal mas para chamar os pais e a população a participar e a viver por “dentro” a Escola e as iniciativas.
Estas propostas pretendem valorizar o trabalho que é feito na Escola, para que os alunos sintam neles a sua participação e ao mesmo tempo a adesão dos que vêm de fora.
Destacando a Festa das Cruzes e o Dia do Agrupamento como inovações dos últimos anos, diríamos que são momentos em que os alunos se sentem muito envolvidos na participação. A Festa das Cruzes, até porque é uma festa que envolve várias Freguesias e tem um peso simbólico muito forte, é um dia em que a Escola está aberta para a Comunidade e participa nas suas lendas, tradições e o grande momento religioso que comporta. O Dia do Agrupamento é o momento da Escola por excelência e que normalmente fazemos coincidir com a Semana Gastronómica do Cabrito da Serra do Caramulo. A Escola abre à tarde e à noite e associa-se ao programa dessa semana promovido pela Confraria do Cabrito e da Serra do Caramulo.
Como se sabe, a Confraria, a Junta do Guardão e a Câmara Municipal promovem o evento, no qual o Agrupamento está inserido e promove exposições temáticas e todo um conjunto de actividades que ajudam a levar a Escola ao Certame e o Certame à Escola. Os temas são abrangentes, mas sempre relacionados com a região onde nos encontramos, desde as romarias, o património construído, as coisas típicas, a História do Caramulo, o seu passado mas também o mais recente. A vida e a Serra. Este ano estamos a estudar e a reflectir sobre o ambiente nas vertentes quer do património biológico quer zoológico, as plantas, os animais e todo o meio envolvente da Natureza e com a Natureza. É este o plano plurianual de actividades que nos propormos realizar, sobretudo com a preocupação de conhecermos o que é nosso, e a forma de o podermos valorizar e preservar.
F T – A Associação de Pais, enquanto tal, é participativa e integrada nestes projectos?
L C - Sem dúvida. Dada a dimensão do Agrupamento, podemos considerar que é uma pequena família que está aqui e empenhada em participar em determinadas actividades. A Associação de Pais é um parceiro fundamental. Na dinâmica toda que se criou, esta Associação, desde o seu início tem sido bastante interventiva e colaborante. A Associação de Pais faz questão de estar sempre presente, inclusive no projecto de “formação para pais”, colaborando inclusivamente para a obtenção de formadores.
Mas em todo este processo e em toda esta dinâmica, justo é destacar o apoio das Juntas de Freguesia mais próximas de nós – Guardão, S. João do Monte e Mosteirinho e, sem dúvida, a Câmara Municipal de Tondela que tem ti
do um papel importantíssimo, impecável e base fundamental para levar a que se possa realizar todo este trabalho. E poderíamos falar de outras entidades e associações, como a Confraria do Cabrito com quem ainda no último Certame levámos a efeito o levantamento do “Receituário Gastronómico da Região”, o Museu (acesso gratuito para estudo) e o Hotel do Caramulo (com natação grátis), a IPSS de S. João do Monte e diversos outros.
De onde se conclui que quer a Associação de Pais quer as diversas parcerias são contributos importantes para o encontro da Escola com a Comunidade.
F T – Falemos agora do recente “Prémio Escolar Montepio” que tivemos o gosto de divulgar em resumo. Tratando-se de estimular projectos, quais são os que o “Prémio” vai proporcionar?
L C – A Fundação Montepio, em parceria com outras entidades, procura juntos das escolas do país aquelas que tenham progredido nas disciplinas de “língua portuguesa” e “matemática”. Escolhem 50 escolas mais representativas e fazem o convite para apresentarem, de acordo com o seu regulamento, um projecto que valorize o programa educativo dessas escolas. Apresentaram 26 os seus projectos, entre as quais a nossa. A primeira selecção contemplou 12, na qual ficámos incluídos. O Júri esteve entre nós para nos “avaliar” e contextualizar o projecto que tínhamos enviado. Dessa selecção saíram 5 escolas vencedoras, entre as quais o Agrupamento de Escola do Caramulo.
O prémio, para além do seu significado pecuniário (25 mil euros), da projecção que dá à Escola e ao Concelho, importa também pelo aproveitamento que permite no alargamento das acções que já vinham sendo realizadas.
Do programa que apresentámos: “Conhecer o que é Nosso” e que foi aprovado, ressaltam quatro vectores fundamentais:
1º. – Formação de pessoal docente e não docente. Aproveitar a Serra do Caramulo como recurso didáctico – Ciência, História, Educação visual, Lendas, Tradições, Fauna, Flora, Geologia, Museus, Vestígios romanos (tão presentes), etc. Tudo isto que nos envolve e faz parte da nossa identidade e daí produzir materiais que possam ser utilizados nas disciplinas;
2º. – Formação de Pais e Encarregados de Educação. Conhecer mais a Escola e “viver” a Escola dos filhos;
3º. – Criar e dinamizar os Grupos já existentes em várias áreas como o Teatro, Artes, Culinária e outros com potencial de desenvolvimento e de interesse local;
4º. – Criação de um Centro de Estudos Integrado da Serra do Caramulo, procurando desde logo, se possível um espaço desactivado (escola ou outro), para aí constituir uma “reserva” de tudo o que dissemos: Recolher, guardar, divulgar, tendo em vista o “conhecimento” do que temos e que ajudará os alunos, mas também como procura de quem precisa de se documentar para mestrados, teses de doutoramento ou outro tipo de estudos específicos. Ao mesmo tempo permitirá a promoção de livros ou estudos sobre a região, fundamentalmente a Serra, potenciando-o como lugar de interesse não só para os naturais como para os visitantes, potenciando igualmente um maior desenvolvimento para inverter os riscos de desertificação que são latentes.
O caminho está aberto, quer com os parceiros já referidos quer com outros que possam vir a envolver o projecto. As pessoas estão receptivas e prontas a colaborar. Há que iniciar as reuniões com os diversos parceiros, delinear estratégias e estabelecer metas. Vai ser, sem dúvida, um desafio para o Agrupamento, mas uma mais – valia para a nossa Terra. Pode ser e será, assim o cremos, o início de qualquer coisa diferente.
O Dr. Luís Costa lembrou que a Escola é, e terá que ser cada vez mais um pólo de desenvolvimento e de dinâmica, como catalisadora de ideias e de projectos. Os alunos, ao estarem envolvidos em tudo o que os rodeia, criam as suas próprias raízes, passando a valorizar isso muito mais para empreender o futuro, que muitas vezes passará pela fixação ao torrão natal.
A finalizar, o Dr. Luís Costa disse que o Projecto, no fundo, virá a ser aquilo que as pessoas quiserem que ele seja. Mas tem esperança que será um tempo de viragem.
Folha de Tondela, depois de agradecer a magnifica perspectiva que o Dr. Luís Costa nos deu da sua Escola e do seu Agrupamento, ficamos inteiramente disponíveis para darmos também o nosso contributo ao Projecto “CONHECER O QUE É NOSSO”, que todos esperamos seja um êxito e um grande “cartaz” das nossas terras e das nossas gentes.
Jorge A. Leitão
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