A QUESTÃO DO HOSPITAL MUNICIPIO CONTINUA NA PROCURA DA MELHOR SOLUÇÃO

Sendo conhecida a posição do Município de Tondela, desde há muito, sobre o Hospital Cândido de Figueiredo, posição reiterada quando das recentes alterações anunciadas, quisemos ouvir o Dr. Carlos Marta, Presidente da Câmara, após as reuniões havidas no passado dia 19, em Lisboa, quer com os Grupos Parlamentares da Assembleia da República quer, ao fim da tarde, com a Senhora Ministra da Saúde.

Carlos Marta, ao receber-nos, transmitiu para os nossos leitores que, “de acordo com o que nós tínhamos anunciado em recente Conferência de Imprensa, de imediato fizemos diligências para reuniões com os diversos Grupos Parlamentares da Assembleia da República, Comissão de Saúde, e também com a Senhora Ministra da Saúde, o que desde já é para realçar a forma rápida como fomos atendidos. Por isso, disse, na passada 4ª. feira tivemos a oportunidade de fazer uma verdadeira maratona na Assembleia da República. Eu próprio, o Dr. José António, Vice-Presidente, o Deputado, Dr. João Carlos Figueiredo e também o Dr. Andrade Miranda, antigo Deputado e que tinha estado também na Comissão de Saúde.

REUNIÃO NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

Fomos recebidos, ao mais alto nível, pelos Presidentes de todos os Grupos Parlamentares, acompanhados pelos respectivos Deputados da Comissão de Saúde, e também pelo Senhor Presidente da Comissão de Saúde, Engº. Couto dos Santos. Destas audiências, o que podemos transmitir é que as nossas preocupações foram muito bem atendidas pelos diferentes Grupos Parlamentares. As nossas preocupações são também preocupações suas, o que significou que do ponto de vista daquilo que eram as nossas dúvidas sobre o futuro do Hospital Cândido de Figueiredo e a sua possível integração neste novo Centro Hospitalar, foi praticamente consensual a opinião dos diversos Grupos Parlamentares, e portanto de acordo com a posição do Município, ou seja, em todos os casos em que pelo País foram criados Centros Hospitalares, os Hospitais mais pequenos foram perdendo valências, autonomia e capacidade de resposta para as populações e proximidade. Isso, naturalmente, preocupa-nos e foi uma das notas principais da nossa intervenção, o que também preocupa aqueles Grupos Parlamentares. Foram sensíveis ao que lhes transmitimos porque têm elementos que lhes permitem pensar que por todo o País é isso que está a acontecer.

O Senhor Presidente da Comissão de Saúde disse-nos que ia marcar uma reunião para a Assembleia da República com a Senhora Ministra, exactamente para debater de uma forma avaliativa e correcta o que de facto está a acontecer. Fazer uma análise e uma avaliação dos Centros Hospitalares e se eles estão realmente a diminuir custos, se estão a dar respostas às populações. Temos já informação de que esse pedido já foi feito.

REUNIÃO COM A SENHORA MINISTRA DA SAÚDE

Tivemos depois reunião com a Senhora Ministra, ao fim do dia. Fomos muito bem recebidos, com uma conversa muito agradável, muito amigável, muito cordial em que tivemos a oportunidade de lhe apresentar as nossa preocupações e perguntar também qual seria a futura missão do Hospital de Tondela.

 Levámos também alternativas, porque julgamos que há alternativas melhores do que a criação do Centro Hospitalar, com mais eficácia, menos custos e maior autonomia, mantendo não só as valências que tem, mas, eventualmente, responder às necessidades da região com outras valências. A Senhora Ministra, sem se comprometer, naturalmente, ficou em estudar as nossas propostas e de analisar as nossas preocupações e mais tarde voltarmos de novo a reunir e a conversar, no sentido do nosso grande objectivo que é encontrar a melhor solução para o futuro do Hospital e, mais do que isso, para a saúde dos nossos concidadãos.

Defendemos e transmitimos à Senhora Ministra a criação de uma Unidade Local de Saúde, exactamente da mesma forma que foram criadas na Guarda, em Seia, recentemente Castelo Branco, Matosinhos. Achamos que o Hospital de Tondela tem todas as condições para ser um modelo alternativo ao modelo do Centro Hospitalar.

Na sequência destas reuniões, iremos solicitar reuniões com o Hospital de Viseu e Tondela, mas também com os diferentes Deputados dos Partidos políticos, no sentido de os sensibilizar que esta matéria não é de arremesso partidário, antes que tem a ver a saúde das populações e, por isso, temos a obrigação de encontrar o melhor modelo organizativo de saúde para a nossa região.

O Hospital de Tondela não é exclusivamente de Tondela, já que abrange um grande número de pessoas – quase 1000.000 pessoas – e por isso temos a obrigação, enquanto responsáveis políticos, de fazer o debate, a discussão para que seja encontrada o melhor resultado final.

Apesar de ter havido uma decisão do Conselho de Ministros, o Decreto ainda não foi publicado e promulgado pelo Senhor Presidente da República. Há portanto, ainda, uma janela de oportunidade. Não somos nós que decidimos, mas não deixaremos de continuar a ter com o Governo o melhor diálogo para encontrar a melhor resposta.

Repito, a reunião com a Senhora Ministra foi muito sensata e, portanto, é neste caminho que vamos prosseguir.

Depois de termos dado conta destas reuniões, na semana passada, impunha-se levarmos aos nossos leitores o seu resultado.

Jorge A. Leitão

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