29º ANIVERSÁRIO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS COMBATENTES DO ULTRAMAR
Devidamente programado, realizaram-se no passado domingo as cerimónias do 29º aniversário da Associação Nacional dos Combatentes do Ultramar (ANCU) que, como é sabido, tem a sua sede social em Tondela.
Do vasto programa destacamos a concentração às 10:00 horas na sede, antiga Escola Conde de Ferreira, seguindo-se 30 minutos depois a cerimónia de homenagem aos militares falecidos, junto ao Monumento em sua honra, na Rotunda dos Combatentes do Ultramar.
Como sempre acontece, diversas Associações de Antigos Combatentes reúnem-se em Tondela, com seus estandartes numa sentida homenagem a todos os que tombaram no cumprimento do dever para com a Pátria, depositando no monumento palmas e coroas de flores.
Entre outras entidades, estiveram presentes nesta homenagem o Presidente da CMT, Dr. Carlos Marta, os Vereadores Eng.ª Carla Pires, Dr. José António de Jesus e o Eng. António Dinis, o novo Comandante da GNR de Tondela, entre outras entidades.
O Presidente da Direcção da ANCU, Dr. António Ferraz, no uso da palavra explicou, para
os que estavam ali pela primeira vez, o significado, das 49 bestas e dos outros motivos que compõem o Monumento, ouvindo-se depois, através da aparelhagem de som, a célebre mensagem em memória dos que caíram, que, como sempre, comove quem a ouve.
Findas as cerimónias naquele local, todos se dirigiram ao Auditório Municipal onde se realizou a Sessão Solene alusiva às festividades.
DR. CARLOS MARTA E DR. FERRAZ ELOGIADOS
Formada a Mesa de Honra, com todos os estandartes das diversas Associações em palco, o Dr. António Ferraz deu a palavra ao Vice-presidente da Assembleia Geral da ANCU, Coronel Adriano Rodrigues Sanches que, na sua intervenção, após ter cumprimentado todos, salientou:
“ Camaradas de guerra e digníssimas famílias – É especialmente para vocês que eu dirijo estas linhas, porque os ex-combatentes são a razão fulcral da existência da nossa Associação, que acaba de completar mais um aniversário que hoje estamos a comemorar. Por conseguinte podemos sentir-nos muito orgulhosos por fazermos parte dela, pois apesar das muitas dificuldades com que se depara, ela mantém-se bem viva e a procurar zelar pelos interesse dos ex-combatentes que a ela recorrem. Ela vai sobrevivendo com a ajuda de alguns Mecenas que compreendem e respeitam aqueles homens que deram tudo o que tinham para dar, por solicitação da Pátria por uma mão cheia de nada, e que tiveram de sofrer uma guerra controversa com todos os sacrifícios inerentes (sede, fome, cansaço, perigo, ansiedade, amargura pelos seus entes queridos distantes, ferimentos mais ou menos graves, traumas psíquicos, etc, etc). Na maioria das vezes, a memória das pessoas tem-se revelado curta, porque se habituaram a refugiar-se no seu egoísmo, e quase não se apercebem desses dramas passados, ou não se interessaram por se aperceberem, ou então foram mal esclarecidas. Já disse uma vez nesta mesma sala que não desejamos que nos considerem “coitadinhos”, isso nunca, porque não é coitadinho aquele que teve a honra de pegar em armas para cumprir as missões impostas pela Pátria. Outros, de antanho, fizeram o mesmo, escrevendo páginas muito belas de uma História de que todos nos orgulhamos, e nunca, mas mesmo nunca, foram considerados coitadinhos. Por conseguinte, o que nós desejamos, o que nós exigimos, é um mínimo de respeito pela nossa anterior prestação. Isso nos basta, não desejamos mais nada, porque já nos sentimos honrados de nos ter calhado a vez de termos podido combater.
A maioria esmagadora dos povos do mundo reconhece que somos bons soldados, destemidos e sacrificados, e que sabemos vender cara a vida em cada missão que tivermos de participar. E vocês, que estão aqui nesta sala, também fizeram parte dessa plêiade de soldados, que sentiram orgulho e deverão continuar a senti-lo. Por tudo isso, que seja Deus a dar-vos as justas compensações e a proteger-vos.
Antes de terminar, desejava fazer duas referências – a primeira (e nunca me canso de o afirmar), de prestar as minhas homenagens, em nome da Associ
ação Nacional dos Combatentes do Ultramar, à Câmara Municipal de Tondela, na pessoa do seu digníssimo Presidente, Dr. Carlos Marta, pela forma altruísta como tem prestado ajuda material, e pela consideração e respeito como sempre tem encarado as realidades dos antigos combatentes. Por tudo isso, creia Vª Ex.ª que lhe ficaremos eternamente gratos. E isto sem menosprezo por outras ajudas que temos recebido de outras entidades, e que são várias.
A segunda referência (e também não me canso de repetir), é para enaltecer o homem que tem sido, ao longo destes anos, o motor de toda a vida que impulsiona esta Associação. Já todos compreenderam que estou a referir-me ao Dr. António Ferraz, digníssimo Presidente da Direcção que com o seu dinamismo, a sua inteligência, a sua faceta de lutador, a sua coragem, tem dado rosto aos múltiplos êxitos que só um espírito tão abnegado pode conseguir, quantas vezes em detrimento dos afazeres da sua própria profissão. Podemos afirmar que tivemos a felicidade de conseguir o homem certo no lugar certo, e que Deus lhe dê a saúde necessária e a mesma vontade para poder continuar a dirigir os nossos destinos.
E é tudo o que tinha para dizer. Vamos continuar a passar um dia o mais agradavelmente possível, e procurar dignificar as comemorações da nossa querida Associação. Muita saúde e tudo de bom para todos.
DR. BARROSO DA FONTE
A intervenção que se seguiu coube ao Dr. Barroso da Fonte, fundador e sócio Nº 1 da ANCU, que normalmente se desloca de Guimarães a Tondela, nestas cerimónias.
O orador começou por explicar como nasceu a Associação e os problemas que tiveram para a manter activa, lamentando profundamente que a Câmara de Guimarães, na altura, não tenha apoiado minimamente, embora o seu Presidente fosse igualmente um antigo Combatente do Ultramar. A Associação teve que arrendar umas instalações precárias pagando 75.000$00 por mês, que naquela altura era muito dinheiro para as fracas possibilidades existentes. Lembrou que os únicos ex-combatentes destas paragens que lá apareciam nas reuniões da ANCU era o Zé Beirão e o Dr. António Ferraz, adiantando:
“A partir daí, por todas as dificuldades existentes em Guimarães, comecei a ver a quem tinha de entregar a «criança»! Eu que tinha criado a Colectividade, de que sou o sócio Nº 1, comecei a ver que tinha encontrado alguém que pudesse levar por diante a nossa Associação. Essa pessoa foi sem dúvida o Dr. António Ferraz que por vezes com prejuízo da sua vida profissional e familiar se sacrifica para tratar dos assuntos da Associação e dos Combatentes.” (…)
A terminar a sua intervenção o Dr. Barroso da Fonte deixou uma palavra de reconhecimento à Câmara Municipal de Tondela, “na pessoa do seu Presidente aqui connosco, por tudo o que tem feito em prol dos Combatentes do Ultramar”.
TEMOS POSTO MÉDICO
O Presidente da Direcção, Dr. António Ferraz, falou em seguida congratulando-se por mais uma vez poderem comemorar o aniversário da Associação, agradecendo à Câmara Municipal, na pessoa do seu Presidente, todo o apoio possível que tem prestado à Colectividade e aos antigos Combatentes.
Deixou uma palavra de insatisfação para com algumas Associações de Combatentes que em vez de se unirem para os interesses comuns ainda criticam aqueles que trabalham nesse sentido. Disse não merecer os elogios que lhe foram feitos, sublinhando:
“Quem está num lugar qualquer deve estar com entusiasmo para o realizar. Esta Associação prossegue não só com um homem mas por um conjunto de pessoas, com todos os Órgãos Sociais a cooperarem, assim como as ajudas de muita gente. Neste capítulo temos em primeiro lugar a Câmara Municipal de Tondela que assumiu um compromisso connosco, não um compromisso escrito, mas um compromisso de postura, de colaboração, porque sabe que no seu Concelho cerca de 4.000 homens passaram pela guerra”.
Deu entretanto a saber o bom andamento dos Serviços de Apoio Médico aos antigos Combatentes e da disponibilidade de alguns agentes, profissionais de diversas áreas de saúde, em colaborarem, mencionando os seus nomes e respectivas especialidades, começando pelo Director Clínico do Posto Médico, na sede da Associação.
Ao terminar lembrou que a Santa Missa por todos os militares falecidos, teria lugar na Igreja de Nossa Senhora do Carmo.
LEMBRAR OS 49 COMBATENTES QUE JÀ PARTIRAM
Terminou o ciclo de discursos o Dr. Carlos Marta que iniciou a sua intervenção cumprimentando todos os presentes dando-lhes as “boas vindas ao nosso Concelho”.
“Lembramos os 49 Combatentes que já partiram e todos aqueles que estiveram em várias partes do mundo, combatendo pela nossa Pátria, pelo nosso País, com o seu esforço e com o seu suor. Lembramos mais uma vez a enorme gratidão que o Município tem, que as pessoas têm, por ter uma Associação Nacional com esta dimensão em Tondela, que é uma honra para todos nós. O nosso trabalho é sobretudo de cooperação Institucional, de cooperação pessoal, no sentido de encontrar as melhores soluções para que vocês se possam sentir bem na nossa Terra”.
O Presidente da CMT lembrou depois a situação delicada do País, sendo de opinião que é a altura de se colocarem de parte as preferências ideológicas para, todos em conjunto, tentarmos colocar novamente Portugal na senda do progresso e criar condições para as pessoas que têm mais dificuldades possam viver, pelo menos, com o mínimo de condições. Afirmou que era altura de nos unirmos todos e trabalhar para ultrapassar estas dificuldades, salientando:
“Pela nossa parte vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para ultrapassarmos as dificuldades, as carências financeiras, os cortes orçamentais, pois é exactamente nos momentos difíceis, nos momentos complicados que nós temos que dar a volta por cima, para encontrarmos as soluções. As mesmas soluções que estes senhores encontraram há muitos anos.
Como não podia deixar de ser, uma palavra especial para os Corpos Directivos da Associação, para os associados ex. Combatentes. (…)
As minhas últimas palavras são para si, Dr. Ferraz – Continue com essa coragem, com essa determinação, com esse carinho, mas sobretudo com uma paixão permanente pela defesa da honra dos nossos ex. Combatentes”.
MISSA E DEPOIS ALMOÇO
Finda a cerimónia no Auditório Municipal todos se dirigiram à vetusta Igreja de Nossa Senhora do Carmo para assistir ao piedoso acto da Santa Missa em memória dos Combatentes falecidos. Como sempre tem acontecido o Templo foi pequeno para contemplar todos os interessados que quiseram honrar os Colegas já desaparecidos.
Agendado para as 13:00 horas, o almoço servido no Pavilhão Desportivo do Estádio João Cardoso, teve início um pouco mais tarde, sempre em ambiente de boa cordialidade e excelente disposição.
A confraternização gastronómica durou bastante tempo, saindo dali alguns convivas cerca das 17:00 horas, rumo à Sede da ANCU, onde prosseguiu, pelo menos por aqueles que não tinham de efectuar viagem longa, de regresso às suas terras.
Amorim Lopes
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