“OS JOVENS E O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO” CONFERÊNCIA DA ESCOLA PROFISSIONAL

OS JOVENS E O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO

Na passada sexta feira, dia 8 de Abril, a Escola Profissional de Tondela (EPT) realizou no Auditório 1 da ACERT, a partir das 15:00 horas, uma importante Conferência, subordinada ao tema, “Os Jovens e o Novo Acordo Ortográfico”.

Aquele vasto espaço esteve completamente lotado, por alunos das diversas Escolas, Professores, responsáveis por Agrupamentos Escolares, convidados e outros interessados em ouvir o que a insigne prelectora iria apresentar na sua intervenção sobre um assunto que está a dar que falar e que não é aceite, ou não é do agrado, da grande maioria de Portugueses, pelo menos de uma faixa etária já longe da juventude.

Essa intervenção coube à Dra. Maria Felicidade Morais, do Departamento de Letras, Artes e Comunicações da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Na cerimónia da Sessão de abertura, o Director da Escola Profissional de Tondela, Dr. Miguel Rodrigues, na sua intervenção salientou o facto de se tratar de um tema que merecia uma atenção especial e assim, “a nossa Escola entendeu oportuno realizar este momento de reflexão e de debate em torno do Novo Acordo Ortográfico. A relevância em volta deste tema justifica-o, por outro lado trata-se de um tema apaixonante que alimenta discussões acaloradas e determinadas”. (…)

O Director da EPT teceu algumas considerações em relação à Conferência, sublinhando:

“Por tudo o que já foi dito julgo que ainda vai correr muita tinta e muita discussão sobre este acordo. São questões que procuraremos aqui debater. Foi nosso propósito com a realização desta iniciativa despertar a atenção para esta temática que será desenvolvida pela nossa convidada.”

Seguiu-se a intervenção da Dra. Maria Felicidade Morais que começou por demonstrar com clareza este acordo ortográfico e as suas implicações. A distinta prelectora disse que era perfeitamente natural que houvesse muita resistência e alguma relutância em aplicar o acordo ortográfico. Falou na reforma de 1911, lembrando Teixeira de Pascoais e o que ele tinha escrito na época sobre o “y” na palavra “abysmo” e “cysne”. Exemplificou as grandes alterações na grafia efectuadas nessa altura e depois na reforma de 1945, que serviu de referência até este acordo ortográfico.

A oradora falou da integração no alfabeto das letras w, k e y, afirmando no entanto que os Portugueses já as utilizavam. Dias, meses, estações do ano e pontos cardiais passam a escrever-se com letra minúscula. Deu exaustiva explicação sobre inúmeros casos do acordo ortográfico e quanto aos acentos gráficos, pelo que ouvimos, será outra confusão. Falou do português (língua) europeu e do português do Brasil, sendo facultativo, nalguns casos, optarmos pelo que quisermos. Noutro caso, informou que o que se não pronuncia não se escreve. (curiosamente esta última questão iria servir para ser questionada no debate que estava prestes a começar).

Todos os participantes foram informados que a Lei obriga a integrar o acordo a partir de Janeiro de 2012.

As inúmeras questões, principalmente as que a distinta prelectora achou mais importantes, foram com muita clareza explicadas, chegando entretanto o ponto alto desta Conferência: O debate.

Foram diversos os quesitos colocados: por professores, por alunos e por outras pessoas que assistiram e estiveram com muita atenção às explicações da prelectora.

A Dra. Maria Felicidade Morais respondeu a todos eles, compreendendo que diversas alterações tenham trazido alguma confusão, como no caso em que foi confrontada por alguém da própria mesa da conferência, sobre a directiva vinda do Brasil de “letras que não se pronunciam, são banidas”, sobre a palavra hora (60 minutos). Admirámo-nos pois nunca nos passou pela cabeça que pessoas que têm a nobre missão de ensinar se revelassem contra certas normas do acordo ortográfico em questão. Julgaríamos que essa era uma faceta para nós, cidadãos comuns sem a preparação necessária para contestar as directrizes das “doutas” personalidades que se responsabilizaram pela reforma, ou acordo. Ficámos no entanto satisfeitos em verificar que o nosso desacordo ao “acordo” tinha razão de ser, pelo menos numa grande parte das alterações. Assim sendo é caso para dizer, bravo Dr. Alfredo, bravo Dr. Miguel, bravo amigo Vasco e um bravo para todos os que tiveram a coragem de publicamente mostrar o seu desagrado.

É certo que somos livres de ter opinião sobre um tema tão “escaldante” mas não podemos esquecer que as leis se fazem para serem cumpridas, portanto a partir de Janeiro de 2012, quer queiramos ou não, teremos que cumprir.

Ao terminar a Conferência, o Dr. Miguel Rodrigues voltou a usar da palavra para dizer da importância inegável deste Encontro, agradecendo à Prelectora ”por estar neste dia connosco”. Teve também uma palavra especial para as Professoras, Isabel Eleutério, Luísa Marques, Isabel Moura e Sandra Oliveira, “mentoras desta actividade a que a Escola se quis associar, assim como para todos os restantes presentes, aos professores e alunos, em especial aos da Escola Profissional”.

Na senda das conferências que ao longo dos anos vem realizando, está mais uma vez de parabéns a Escola Profissional de Tondela por este trabalho apresentado no passado dia 8 de Abril.

Amorim Lopes

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